segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Curso on line grátis de Metodologia Científica


A postagem de hoje é muito especial. Ela é útil tanto pra galera que está nos primeiros períodos da faculdade quanto pro pessoal que está na pós graduação. Trata-se de um curso de metodologia científica on line totalmente gratuito. Isso mesmo!
SEM GASTAR NADA! DE GRÁTIS, GRATUITO, 0800!
Eu sei que os alunos dos primeiros períodos acham essa matéria um porre, e que fazem esta disciplina por livre e espontânea pressão, mas acreditem em mim... Metodologia Científica é importantíssimo!
Pensem bem... se ela fosse tão inútil estaria na grade das matérias obrigatórias das especializações e do mestrado?
Pois bem, deixo um link para o curso de metodologia promovido pela Fundação Getúlio Vargas. A FGV é a primeira instituição brasileira a ser membro do OCWC (Open Course Ware Consortium), o consórcio de instituições de ensino de diversos países que oferecem conteúdos e materiais didáticos de graça pela internet.
Não pensem que por ser de graça é ruim. Eu mesmo já fiz boa parte deste curso, e me agradou bastante. Mas chega de delongas e vamos direto ao ponto: Esta é uma boa oportunidade pra quem quer aprender um pouco mais sobre metodologia científica ou simplesmente relembrar a matéria. Basta acessar o link abaixo e começar o curso Metodologia de Pesquisa – Conhecimento, saber e ciência
Bons estudos!

sábado, 26 de setembro de 2009

Mais algumas palavras sobre Serviço Público Vs Iniciativa Privada

Serviço Público Vs Iniciativa privada... o combate do século.
Como eu disse anteriormente, este é um assunto que não se esgota em uma única postagem. Assim, me dou a liberdade de adiar a publicação de outros temas de fisioterapia para poder divagar um pouco mais sobre este tema. Na verdade, o que eu pretendi com o post anterior foi incitar a polêmica. De fato, não existe certo ou errado, simplesmente existem os prós e os contras que devem ser analisados ao se escolher entre as duas opções.

Para a postagem de hoje, vou me basear nos comentários do Rodrigo do blog mobilidade funcional, e do Aléssio Niehues, os quais levantam uma questão que muitas vezes é deixada de lado nos cursos de graduação: O empreendedorismo e o marketing pessoal, os quais na minha opinião deveriam integrar uma disciplina chamada: Noções de sobrevivência na selva urbana.

Informações sobre a lógica do mercado de fisioterapia são particularmente importantes uma vez que quase ninguém se forma e é aprovado em concurso público. Além disso, evitaria que tantos recém formados caíssem em arapucas montadas por cooperativas, por "obras sociais" de candidatos picaretas ou desperdiçassem anos de suas vidas em clínicas sanguessugas.

Ora, vivemos um momento de acirrada concorrência profissional, com milhares de formandos saindo das faculdades todos os semestres e sem clínicas ou hospitais para absorver esta mão de obra. Some-se a isto uma pequena parcela da população com poder aquisitivo para pagar valores justos por atendimentos domiciliares de fisioterapia, e o pior: nem sempre os melhores sobrevivem... na verdade, pensando bem, vale a lei da evolução das espécies: apenas os mais aptos sobrevivem. Entendam por aptos aquelas pessoas que além do conhecimento técnicos também tenham o hábito de não se dar por vencidas facilmente, que saibam cativar a confiança do paciente, estabelecer bons contatos profissionais com outros fisios, com fonos, médicos, enfermeiras, enfim: todos que de um jeito ou de outro possam lhe encaminhar pacientes.

Em resumo: O mercado é cruel, e sobreviver e prosperar nele não é uma coisa fácil, envolve investimento (cursos, pós-graduação, compra de equipamentos), muito jogo de cintura e principalmente contatos para que você tenha o DIFERENCIAL necessário para vencer a concorrência com os outros milhares de fisioterapeutas disponíveis no mercado.

Para quem quiser se aprofundar um pouco mais, recomendo a leitura frequente do blog da Fisioterapeuta Lívia Souza: o "papo de fisio", um dos mais interessantes que eu li ultimamente e que frequento religiosamente a cada nova postagem.

Mas, como eu já disse no início não existe certo ou errado. Aqueles que investem na inicativa privada e conseguem prosperar, seja baseando sua renda nos atendimentos domiciliares, seja montando uma clínica de fisioterapia ou home care conseguem além de uma grana legal a possibilidade de expandir seus horizontes. Esta expansão envolve abertura de filiais da clínica original, contratação de maior número de profissionais, oferta de novos serviços, etc... Isso é muito legal, pois para estas pessoas o céu é o limite. Conheço gente que ralou muito, mas agora está muito bem de vida com sua clínica, e conheço gente que tem seu próprio negócio, continua ralando muito, mas que as oportunidades se somam e a possibilidade de ficar "numa boa" está cada vez mais próxima.

Deixei de comentar a opinião da Diana Bitten de propósito, pois espero mais gente se manifestar sobre o serviço público antes de uma nova postagem

Novamente recomendo a leitura do blog http://papodefisio.blogspot.com/ que tem ótimas dicas, inclusive alguns "caminhos das pedras" já traçados pela Lívia e que poderão lhe ajudar a evitar cabeçadas desnecessárias.
Termino perguntando para eventuais acadêmicos que leram este
post até o fim:
Você já pensou no que vai fazer no dia seguinte da colação de
grau? e no que vai fazer seis meses depois? . . . Já pensou aonde você quer
chegar e como fazer para alcançar seus objetivos?
. . . comece a se preocupar.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Serviço Público ou Inicativa Privada ... eis a questão

Encontrar o primeiro emprego não é uma tarefa das mais fáceis. Conheço dezenas de pessoas que após a formatura demoraram meses, ás vezes anos, até serem empregadas. Aliás, eu mesmo me incluo nesta estatística. Quero chamar a atenção ao fato de que estou me referindo a um emprego (carteira assinada, férias, décimo terceiro e direitos trabalhistas) e não a plantões coringa ou ao regime de semi-escravidão das cooperativas.
A grande questão de hoje é a escolha entre investir seu tempo e dinheiro na preparação para um concurso público ou investir seu tempo e dinheiro como empreendedor na iniciativa privada. Além disso é fato notório que o mercado de trabalho não é nada amistoso para os recém formados. A postagem de hoje é pra discutir rapidamente os prós e contras destas duas opções. Iniciarei comentando o sonho de 9 entre 10 formandos: o Serviço Público

Vantagens do serviço público:Logo de cara não posso deixar de comentar que as principais motivações (mas não as únicas) para que tantas pessoas sonhem com um emprego público é a estabilidade funcional e a garantia que o salário será pago, não importa se o órgão tem ou não receita, no final do mês. Isso possibilita planejamento a longo prazo, tipo compra da casa própria, empréstimos bancários, troca de carro, etc...
Existem ainda outras vantagens como o abono das faltas, adicional de férias, auxílio creche e também a licença prêmio, que embora em extinção, ainda pode ser encontrada em alguns Municípios e Estados. Neste caso, o servidor faz jus a três meses de licença prêmio a cada cinco anos de efetivo exercício. Neste período, todos os seus direitos e vantagens do cargo estão garantidos. Se você tirar férias no mesmo período é possível ficar quatro meses inteiros em casa de bobeira. Gostou? eu também, pena que nenhum dos meus vínculos me dá direito à licença prêmio :(
É importante lembrar também que embora saibamos que um funcionário público possa ser demitido, na prática, isso é quase impossível.
Em alguns órgãos existe a possibilidade de redução de carga horária quando o servidor estiver realizando um curso de mestrado ou doutorado. Sem contar que dependendo do local, esta pós graduação pode ser bancada pelo própio hospital (isso só acontece na esfera federal... você consegue imaginar seu prefeito pagando estudo pra algum funcionário?)
Ah! não posso me esquecer que alguns órgãos já utilizam a progressão salarial por titulação... o famoso plano de cargos e salários. Se não me engano 10% por pós-graduação tipo especialização, 15% mestrado e 20% doutorado. Me corrijam se eu estiver errado.
Mas nem tudo são flores...


Desvantagens do serviço público:Logo de cara, a grande desvantagem é a grande concorrência dos concursos. Trata-se de um verdadeiro funil, sendo que muitas vezes abrem-se pouquíssimas vagas. Não é incomum a relação candidato-vaga beirando 1000. Isto sem contar o concurso Highlander - uma só vaga - Onde os candidatos participam de uma verdadeira batalha intelectual, rosnando uns para os outros e gritando - SÓ PODE HAVER UM !!!! ao entregar a prova.
Supondo que consiga tomar posse o candidato depara-se com o salário. Isto é, alguns concursos até que pagam bem como o caso das forças armadas, Professores Universitários e Hospitais Federais, porém a grande maioria das prefeituras e Estados pagam relativamente mal. Entenda mal, como menos do que eu ganharia se dedicasse o mesmo tempo ao atendimento de pacientes particulares. Ainda sobre o salário, fique atento, pois sempre que ouvir o governo falar em contenção de gastos, adequação do orçamento público ou equilíbrio fiscal, entenda estas frases como: Este ano não haverá aumento salarial, a menos que você tenha um cartão corporativo.
OK, existe o direito de greve, mas isso não é regra para aqueles que atuam em hospitais... bem, eu te digo isso pois em 5 anos de serviço público, eu nunca parei por causa de greve. Não que eu seja um fura-greves ou puxa-saco do Lula, mas simplesmente porque as enfermarias e o CTI de um hospital são os últimos a aderir a uma greve.
Um outro grande problema referente ao serviço público é a desmotivação. Muitas vezes não há horizonte de crescimento profissional... aí o servidor "emburrece"... fica lá, fazendo a mesma coisa por anos a fio... torna-se uma máquina, embrutecido(a) pela má gestão do serviço público, e quando questionado por um eventual estagiário responde algo como: pra que me especializar? pra que estudar? Este tipo de coisa não vai alterar o meu salário e muito menos a carga horária... me deixa quieto...
E pra terminar, a fisioterapia, ao contrário da medicina, não possui ainda concursos com provas separadas por especialidades. Assim, nada impede que um fisioterapeuta com especialização, mestrado e doutorado em Reabilitação neurológica venha a ser alocado em uma UTI. Graças a Deus a maioria dos gestores tem o bom senso de não deixar isso acontecer...


Vantagens da iniciativa privada:

A grande vantagem da inicativa privada é o fato de você ser o seu próprio chefe, dono de seus horários e cobrando o que quiser dos seus pacientes. O atendimento domiciliar geralmente é mais rentoso, pois os honorários de um atendimento em casa são maiores do que os que seriam cobrados em uma clínica e seus gastos se resumem à gasolina e a eventuais estacionamentos. Além disso é possível adequar os dias e horários com maior liberdade. Devo acrescentar que tenho colegas que vivem (e bem) exclusivamente de atendimentos domiciliares de fisioterapia. Estas mesmas vantagens se aplicam a abertura de consultório ou clínica.
Uma outra possibilidade é a do que eu chamo de empreendedorismo do conhecimento. Ou seja: montar cursos, contratando profissionais renomados e organizando a estrutura do evento... Conheço gente que faz isso. Dá um trabalhão, mas também rola uma boa grana, mesmo depois de descontados os impostos e os gastos da organização, percebe-se que é um negócio rentável. Obviamente não estou me referindo a cursinhos de final de semana com o Dr. Fulano, recém formado, cobrando R$15,00 reais por aluno.
Além de cursos de técnicas de fisioterapia, um outro filão (que está na moda ultimamente) é o de cursos preparatórios para concurso. O mesmo raciocínio se aplica: contratação de bons professores+aluguel (ou compra) de sala+organização+impostos+mensalidade dos alunos = trabalhão e lucro.
Creio que estas são as mais comuns formas de empreendedorismo, mas também é possível pensar na abertura de firmas de fabricação e aluguel de materiais de fisioterapia, assessoria profissional, montagem de home care, entre outros.



Desvantagens da iniciativa privada :
Impostos Sim, a carga tributária e a burocracia para abertura (e fechamento) de uma firma podem fazer uma boa idéia morrer antes de completar o primeiro ano de vida. Este é um jogo em que é preciso planejar muito bem e estar bem informado, pois se os lucros são atraentes os perigos de falência e endividamento são assombrosamente grandes.
Pra quem trabalha com atendimento domiciliar, o problema está no fato de que de um dia pro outro você pode descobrir que metade dos seus pacientes suspenderam o atendimento, te deixando com uma mão na frente e outra atrás. Isto pode ocorrer pelos mais variados motivos: óbito, reinternação, alta, férias do paciente, falta de dinheiro... Tenha em mente que de uma hora pra outra você pode se ver numa pindaíba tremenda. Isso sem contar o calote... é, tá pensando o quê, não é só político que faz isso não!
Outra coisa importante: Se você ficar doente ninguém vai trabalhar por você... se você quiser tirar férias terá de economizar e bancar o período em que ficará sem atender (e sem receber)
Por último, existe sempre a incerteza de se trabalhar em uma clínica ou hospital. Mesmo de carteira assinada, a sombra do desemprego ronda os trabalhadores, com os profissionais de saúde a situação não é diferente.
Bem pessoal, acho que toquei nos pontos mais importantes de cada item.
Aguardo comentários, pois este é um assunto bastante polêmico que não se esgotou nestas linhas.
Hasta La Vista Amigos

sábado, 19 de setembro de 2009

100.000 Visitantes

É isso aí galera,
Nem eu pensei que fosse chegar tão longe... muito menos que alcançaria 100.000 acessos antes do blog completar seu primeiro ano de vida!
Pois é, lá se foram 154 postagens, não sei quantas mil horas na frente do computados e muitos, mas muitos e-mails trocados com alunos e fisioterapeutas do Brasil e também do exterior. Mas agora chega de blá-blá-blá e vamos logo ao que interessa.
Em comemoração aos 100.000 acessos deixo hoje os links para a galera baixar a 4a edição do livro Avaliação Musculoesquelética - Magee. E de quebra um CD de análise observacional da marcha.
É ISSO MESMO: LIVRO DE FISIOTERAPIA DE GRAÇA ! TOTALMENTE GRÁTIS ! 0800 !

Infelizmente tá tudo em inglês.... mas é o melhor que posso oferecer.
Seguem os links abaixo. Eu já baixei e verifiquei pessoalmente que os links estão funcionando.
Agradeçam a Pikachuangel



Para abrir o livro Magee, crie uma pasta e salve todos os arquivos nela e depois abra com o programa winzip ou winrar diretamnete no seu computador. Este livro é um arquivo pdf e precisa do acrobat ou foxreader para ser aberto.

Para abrir o CD de marcha, salve os dois arquivos e abra também com o winzip ou winrar. Automaticamente abrirá uma janela com o Nero (programa de gravação de CDs) perguntando se vc vai querer gravar este arquivo em CD. Confirme e grave tudo num CD ou DVD.
Atenção: O seu computador não conseguirá ler o CD de marcha se você não gravá-lo antes em um CD ou DVD.


Feliz Natal fora de época
HO! HO! HO!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Radiografia de Quadril na Criança - Identificando a Displasia do Desenvolvimento do Quadril

A Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) é um termo genérico utilizado para descrever um amplo espectro de anormalidades do quadril. O diagnóstico precoce da displasia do quadril é da mais alta importância, uma vez que o tratamento adequado evita a luxação e previne a incapacidade em longo prazo. O exame físico do lactente por meio dos testes de Barlow e Ortolani são uma prática rotineira na avaliação médica do Recém-Nascido. Se o exame físico é positivo, a avaliação ultra-som deve ser realizada para avaliar a posição anatômica da cabeça femoral cartilaginosa em relação ao acetábulo.

No entanto, a DDQ não ocorre somente nos recém nascidos. A displasia do quadril também pode acontecer em crianças que não descarregam o peso corporal sobre os membros inferiores. A falta de esímulo mecânico pode gerar alterações da morfologia óssea da pelve e quadril. Assim, crianças com Encefalopatia Crônica, Mielomeningocele, Amiotrofia Espinhal Progressiva ou qualquer outra condição que dificulte ou impeça a aquisição do ortostatismo estão em risco potencial para o desenvolvimento de luxação e ao longo do tratamento de reabilitação devem ser avaliadas radiograficamente para o acompanhamento de uma possível displasia de quadril.


A figura acima ilustra a direção de forças no fêmur e pelve na posição ortostática. Esta distribuição de forças estimula as epífises de crescimento do fêmur e do acetábulo de forma a moldar estas estruturas no formato que elas terão no adulto.

É importante enfatizar que o exame radiográfico não é utilizado para o diagnóstico precoce pois até os 02 meses de idade a maior parte da pelve do Recém Nascido é cartilaginosa. O exame radiográfico de uma criança maior é realizada em uma projeção ântero-posterior da pelve com o paciente em posição supina com os membros inferiores em ligeira rotação interna.
Para avaliar o RX em crianças, faz-se uso de algumas linhas de determinação, de modo geral, é interessante ao fisioterapeuta conhecer 4 marcos radiográficos que ajudam na identificação de um quadril displásico e/ou luxado :

Linhas radiológicas :

a ) Linha de Hilgenreiner: Uma linha horizontal traçada através do topo das áreas claras da cartilagem trirradiada.
OBS: cartilagem trirradiada.= É a cartilagem que une os ossosísquio, ílio e púbis, que ao se ossificar, forma o fundo do acetábulo.

b) Linha de Perkins: é uma linha vertical perpendicular à linha de Hilgenreiner que tangencia a margem acetabular lateral Estas duas linhas dividem o quadril em quatro quadrantes, devendo a cabeça femoral estar situada nos quadrantes inferior e medial.



Na figura acima pode-se observar a linha de Hilgenreiner e a linha de Perkins

c) Linha de Shenton (Menard): é uma linha traçada entre a borda medial do colo femoral e a borda superior do forâmen obturador. Ela deve ter um contorno contínuo. Nos casos de ascensão da cabeça femoral (luxação), esta linha sofre solução de continuidade



Na figura acima a linha de Shenton, percebam que ela deve ser visualizada como uma linha continua entre o fêmur e a borda superior do forâmen obturador. Em caso de luxação, como na figura abaixo, esta linha fica "quebrada"



d) Índice Acetabular ou ângulo acetabular : é medido pelo angulo formado pela linha de Hilgenreiner e uma linha traçada da profundidade da cavidade acetabular até a sua borda lateral. Esse ângulo varia de acordo com a idade da criança, mas de forma geral, podemos dizer que ângulos maiores que 30 graus sugerem a existência de displasia




Acima, as principais marcações radiográficas, comparando um quadril normal e um displásico

Para quem quiser saber mais recomendo os links abaixo e também que baixem os dois e-books de ortopedia pediátrica e um de radiografia pediátrica disponíveis na coluna lateral do blog

http://www.sbotrj.com.br/docs/revista_aot_1.pdf

http://www.rbo.org.br/pdf/1993_ago_83.pdf

http://www.pediatric-orthopedics.com/Topics/Bones/Hip/hip.html

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Modelo de poster para o Congresso de fisioterapia

Ok,galera, esta postagem é especial para quem vai apresentar trabalho sob a forma de poster. Atendendo a pedidos, deixo hoje o link para quem quiser baixar o modelo que eu uso para plotar posteres.
Pra quem nunca fez um poster, aviso que é um lance muito fácil. Trata-se de um arquivo em power point já formatado em tamanho de poster, inclusive com as letras já em tamanho compatível, bastando você digitar o seu trabalho. Já está com os espaços reservados para colocar o título, autores, instituição, texto, tudo direitinho para fazer qualquer trabalho parecer profissional.
A única recomendação é que verifiquem as dimensões recomendadas pelo congresso para o poster.

Geralmente eu termino de formatar o poster e levo para a loja ou gráfica onde vou fazer a plotagem. Aí eu abuso um pouco dos funcionários. Eu digo:

"- Ei cara, esse poster tem que ter 1,20m de altura por 1,00m de comprimento. Foi o estagiário quem fez a formatação. Verifica pra mim se o tamanho tá correto... sabe como é né, estagiário é uma racinha que não se pode confiar." e pronto! se estiver fora dos padrões o cara conserta lá na hora.
Podem baixar o modelo no link abaixo

A propósito, quem for apresentar algum trabalho no congresso brasileiro de fisioterapia já pode consultar a relação dos trabalhos aceitos no site:

Mais uma dica:
Você não precisa olhar nome por nome da lista, para encontrar rapidamente o seu trabalho. pressione as teclas "control"+"F", com esse comando vai se abrir uma caixa de diálogo. Agora Basta vc digitar o seu nome ou alguma palavra do título do seu trabalho e mandar o computador procurar.


Mas voltando ao assunto:

Mesmo não tendo (ainda) um filho homem pra me abrir as portas do paraíso, tenho certeza que esta postagem vai contar bastante pra que na próxima encarnação eu volte como Bilionário.


Ohm Shanti Ohmmmmmmmmmmmmm

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Artigos indexados do conceito Mulligan


olá Pessoal,
Atendendo a pedidos, criei uma pasta no 4shared pra compartilhar alguns artigos do conceito Mulligan.


Coletânea com 14 artigos sobre o conceito Mulligan
Aproveitem

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Exercícios de Membros Superiores em pacientes com DPOC

Os membros superiores (MMSS) desempenham um papel importante na realização de muitas atividades de vida diária (AVDs). Os pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) freqüentemente sentem dispnéia e fadiga quando executam tarefas que exijam que os braços permaneçam elevados e sem apoio. Estas atividades representam um desafio único para esses indivíduos pelo simples motivo de que vários músculos dos membros superiores são também músculos acessórios da respiração. Atividades com o braço elevado e sem apoio fazem com que a participação destes músculos como acessórios da respiração diminua, deslocamento o trabalho respiratório para o diafragma. Neste momento é importante relembrar que o diafragma encontra-se em desvantagem mecânica pois em pacientes com DPOC tende a retificação, além disso, uma série de outras alterações relativas ao metabolismo muscular também podem estar presentes (Orozco-Levi M. Structure and function of the respiratory muscles in patients with COPD: impairment or adaptation? Eur Respir J 2003; 22:41s-51s)

EXERCÍCIOS FÍSICOS EM PACIENTES COM DPOC
A eficácia de programas de reabilitação pulmonar tem sido bem documentada em pacientes com DPOC, com melhoras consistentes e clinicamente significativas na capacidade de exercícios, sintomas e na Qualidade de Vida. Contudo. Estes programas concentram-se geralmente nos exercícios de membros inferiores.
Como os efeitos do treinamento muscular são específicos para o membro treinado, parece razoável supor que em pacientes com DPOC, o treinamento dos MMSS pode mehorar o status funcional e reduzir sintomas de dispnéia e fadiga durante as AVDs

EXERCÍCIOS PARA OS MEMBROS SUPERIORES
Além das repercussões pulmonares, a DPOC gera também uma série de alterações clínicas sistêmicas tais como perda de massa magra e o descondicionamento muscular. Diretrizes clínicas recentes, voltadas para o tratamento da DPOC, enfatizam o papel do exercício físico para quebrar o círculo vicioso de descondicionamento. Neste sentido, a diretriz mais recente sobre reabilitação pulmonar recomenda a inclusão de exercícios direcionados para os músculos dos membros superiores nos programas de fisioterapia para pacientes com DPOC. (Ries AL, Bauldoff GS, Carlin BW, et al. Pulmonary rehabilitation: joint ACCP/AACVPR evidence-based clinical practice guidelines. Chest 2007; 131(suppl):4S–42S)
A lógica da inclusão do treinamento físico dos membros superiores para pacientes com DPOC baseia-se no fato de que diversos músculos da cintura escapular que são ativados durante as atividades funcionais dos MMSS, também agem como músculos acessórios da respiração, e no caso do DPOC, estas duas ações musculares competem entre si. Em uma linguagem bem simples: O paciente com DPOC pode chegar a um ponto no qual ele deverá escolher literalmente entre estender roupa no varal ou respirar.
Durante a inspiração tranquila, os músculos acessórios da respiração estão normalmente inativos em pessoas saudáveis. Porém em pacientes com DPOC eles estão sendo recrutados mesmo durante o repouso. Assim, durante as atividades que envolvem a atividade dos MMSS a respiração torna-se ineficaz, porque os músculos acessórios respiratórios trabalham para estabilizar a cintura escapular. Isso leva à sobrecarga funcional do diafragma e desencadea o aparecimento precoce de dispnéia e fadiga.

Exemplos de AVDs utilizadas para avaliar a função de MMSS em paciente DPOC.
(A) Apagar um quadro negro, (B) enroscar e em seguida desenroscar três lâmpadas (C), secar pratos e colocá-los em um prateleira e (D) colocar mantimentos em uma prateleira.


Em uma revisão sistemática publicada recentemente na revista CHEST (Stefania, C et al. Effects of Unsupported Upper Extremity Exercise Training in Patients With COPD: A Randomized Clinical Trial. Chest. 136(2):387-395, August 2009) corrobora a eficácia do treinamento dos membros superiores sem suporte (em cadeia cinética aberta), em melhorar a capacidade de exercício de pacientes com DPOC. Além disso, este estudo fornece dados novos e relevantes sobre os benefícios deste treinamento específico sobre resultados clinicamente importantes, tais como a capacidade de realizar AVDs que envolvem os MMSS e a fadiga relacionada a estas atividades. Curiosamente, os benefícios demonstrados da capacidade de exercício e na dispnéia durante as atividades diárias se mantiveram após 6 meses nos pacientes que receberam treinamento dos MMSS. Em pacientes com DPOC, onde o diafragma é funcionalmente comprometido, as limitações ventilatórias pode determinar uma restrição progressiva da participação em atividades realizadas com os braços devido ao envolvimento durante a inspiração dos músculos da cintura escapular. Nestes pacientes, as atividades realizadas com os braços sem suporte são percebidas como particularmente fatigante, os quais por sua vez tendem a evitar progressivamente tais atividades, gerando um circulo vicioso de perda de desempenho nas AVD realizada com os braços e descondicionamento muscular.

Pô galera, este é um assunto muito interessante, e eu gostaria muito de postar algumas dicas de exercícios, mas infelizmente este é um blog aberto ao público e tenho medo de que algum doido resolva fazer os exercícios por conta própria... vai que alguém entra em crise, tenha um infarto, sei lá, e eu ainda respondo a um processo na justiça!
Porém, para aqueles que estão curiosos, é importante saber que não existe receita de bolo.
O processo de reabilitação pulmonar é normalmente supervisionado, estruturado e de preferência multiprofissional. Isso significa que ele irá incluir a avaliação dos sintomas e tratamento, a curto prazo e objetivos de longo prazo, além de programas de educação, apoio psicológico e acompanhamento médico.
Como eu já disse, não existe receita de bolo. Por exemplo:
Algumas pessoas podem estar tão comprometidas que são incapazes de se vestir sozinhas. Outros são capazes de caminhar durante 30 minutos antes do início da dispnéia. Em ambos os casos os programas de exercícios serão radicalmente diferentes.
O texto postado tem o objetivo de valorizar um outro aspecto da reabilitação pulmonar; o dos exercícios direcionados aos membros superiores, pois a grande maioria dos trabalhos preocupa-se com o condicionamento cardiocvascular por meio de exercícios na esteira.
Pois bem, fica aqui a dica, espero que tenham gostado.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Disreflexia autonômica

A Disreflexia Autonômica Medular (DA) foi relatada pela primeira vez em 1890 por Anthony Bowlby, quando ele descreveu em um paciente com traumatismo raquemedular (TRM) a presença de sudorese profusa e vermelhidão (rash) na cabeça e pescoço desencadeada pelo procedimento de cateterização da bexiga. A DA é uma síndrome caracterizada pelo surgimento agudo de atividade autônoma excessiva em pacientes com lesão medular acima de T5-T6 (saída do fluxo esplânico simpático). Esta condição é geralmente desencadeada por estímulos nocivos que ocorrem abaixo do nível da lesão medular.

Ok, explicação padrão... bastante técnica mas não muito clara não é mesmo? Então vamos trocar em miudos:

Pessoas com lesão medular acima de T6 (estou me referindo ao nível medular, não a vértebra!) Não terão o sistema simpático se opondo ao parassimpático em seus efeitos sobre o sistema circulatório. Este é o ponto principal para se entender a disreflexia autonômica!

Abaixo do nível da lesão, os neurônios medulares continuam a trabalhar normalmente. Quando um estímulo nocivo é detectado pelos receptores de dor, ele viaja normalmente (como se nada tivesse acontecido) através das vias sensoriais aferentes até a medula espinhal.
Chegando na altura da lesão medular, esta informação de dor é incapaz de viajar mais, criando excitação dos gânglios simpáticos. Esta resposta simpática não encontra oposição pelo sistema nervoso parassimpático acima do nível da lesão (pois o contato do SN parassimpático foi interrompido devido a lesão medular e os estímulos inibitórios não tem mais como equilibrar a ação do Simpático).
Assim, a excitação dos gânglios simpáticos abaixo do nível da lesão resulta em uma maior resposta reflexa do sistema nervoso simpático. A qual se manifesta como uma vasoconstrição repentina e maciça dos vasos sanguíneos abaixo do nível da lesão. Se o estímulo doloroso continua a excitar os gânglios simpáticos, acaba por levar a um maior aumento da resposta simpática reflexa de vasoconstrição abaixo do nível da lesão.

A vasoconstrição, e a consequente hipertensão é percebida pelos barorreceptores no arco aórtico e os corpos carotídeos do coração. Estes receptores enviam mensagens aferentes para o centro vasomotor no bulbo do tronco cerebral, que resultam em uma resposta de vasodilatação e bradicardia. Esta resposta, porém, só pode ocorrer acima do nível da lesão, criando uma resposta parassimpática que é continuamente estimulada pelos barorreceptores que estão respondendo à hipertensão que ocorrem abaixo do nível da lesão. Isso resulta na dilatação dos vasos sanguíneos no cérebro, porém hipertensão no resto do corpo em um círculo vicioso.
Se este desequilíbrio autonômico não for tratado, o resultado pode ser hemorragia cerebral, convulsões e morte.

Rash característico da Disreflexia Autonômica Medular

Esta condição representa uma emergência médica. Reconhecer e tratar os primeiros sinais e sintomas de forma eficiente pode evitar seqüelas perigosa da pressão arterial elevada. Pacientes com TRM, cuidadores e profissionais da área médica devem ser informados sobre essa síndrome e sua gestão.

Clínica:

História O paciente com DA geralmente refere história de visão embaçada, dores de cabeça e uma sensação de ansiedade.

Exame Físico:
Um paciente com DA pode ter 1 ou mais dos seguintes achados no exame físico:
(a) Um súbito aumento significativo na pressão arterial sistólica e diastólica, geralmente associada a bradicardia, podem aparecer. A pressão arterial sistólica normal para pacientes com Lesão Medular acima de T6 é de 90-110 mm Hg. A pressão arterial 20-40 mm Hg acima do intervalo de referência para tais pacientes pode ser um sinal de DA.

(b) Sudorese profusa acima do nível da lesão, especialmente na face, pescoço e ombros, pode ser notado, mas isso raramente ocorre abaixo do nível da lesão por causa da atividade colinérgica simpática.
(c) Rubor da pele acima do nível da lesão, especialmente na face, pescoço e ombros,

(d) O paciente pode relatar visão borrada. Manchas podem aparecer no campo visual do paciente. Congestão nasal é comum.

Causas:
Episódios de DA podem ser desencadeados por muitos causas. Essencialmente qualquer estímulo doloroso ou irritante abaixo do nível da lesão pode causar um episódio da DA. Embora a lista de eventos ou condições capazes de desencadear a DA, os principais são:
* Distensão da bexiga
* Infecção do trato urinário
* Distensão ou impactação do intestino
* Cálculos biliares
* Úlcera gástrica ou gastrite
* Trombose venosa profunda
* Úlceras de pressão

* Unha encravada
* Queimaduras
* Picadas de insetos
* O contato com objetos duros ou cortantes (o paciente pode ter sentado em cima de um objeto destes sem perceber)
* Roupas, cintos ou sapatos apertados
* Fraturas ou outros traumas

Pronto, acho que esta é uma boa visão geral sobre o assunto. Mas como eu quero ter certeza de que todo mundo entendeu, abaixo tem um diagrama com os melhores momentos da postagem.


1- A distenção da bexiga causa estimulação dos receptores de dor localizados na parede da própria bexiga.
2- Os receptores de dor enviam uma mensagem que viaja até as vias aferentes da medula espinhal. Esta mesnagem acaba por estimular o sistema nervoso simpático (SNS), resultando em hipertensão.
3-Barorreceptores no arco aórtico são estimulados pela hipertensão e enviam mensagens para o centro vasomotor.
4- O centro vasomotor responde com estímulo para vasodilatação. Porém esta só ocorre acima da lesão espinhal.

Finito ... espero que tenham gostado

See ya space cowboy