sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Tetraplégicos controlam cadeira de rodas com a língua

Um dos grandes desafios enfrentados hoje pelos profissionais que trabalham com reabilitação física é garantir o máximo de independência, qualidade de vida e inclusão social a pessoas com alguma deficiência. Algumas vezes problemas antigos encontram soluções através da inovação tecnológica; outras vezes, a solução surge de uma combinação inusitada entre inovação e arte corporal.  
  
Recentemente, uma equipe do Instituto de Tecnologia da Geórgia desenvolveu um dispositivo que permite a pessoas com tetraplegia controlar uma cadeira de rodas motorizada utilizando um piercing de língua. Este equipamento é composto basicamente por um dispositivo magnético posicionado na língua e sensores, os quais permitem ao paciente usar a língua como um joystick em um sistema sem fios.  Esta foi uma idéia genial pois mesmo em uma lesão medular alta a motricidade da língua encontra-se preservada uma vez que é feita pelo XII par (n. hipoglosso).


Para investigar melhor a utilização do piercing de língua magnético, pesquisadores do Instituto de tecnologia da Geórgia publicaram recentemente um trabalho na revista Science Translational Medicine (infelizmente só consegui o resumo). No qual avaliaram a velocidade e precisão da locomoção em cadeira de rodas utilizando o tal piering de língua e a compararam com o desempenho do dispositivo de sopro (Nota do blogueiro: Atualmente, a tecnologia assistiva mais popular que permite pessoas com tetraplegia controlar uma cadeira de rodas é um dispositivo no qual os usuários assopram, ou mesmo fazem sucção do ar, em um canudo acoplado a sua cadeira de rodas e que “entende” quatro direções básicas: frente, trás, direita e esquerda).


Esta pesquisa foi feita com um grupo de 11 voluntários com lesão medular em C6 ou superior e 23 indivíduos sem lesão medular. Os resultados mostraram que quando os participantes utilizaram o piercing de língua magnético, seu desempenho foi até três vezes melhor do que com o dispositivo de sopro.  Ah! Quase me esqueci: Furar a língua não é pré-requisito para utilizar o sistema. Durante a pesquisa, o sensor magnético foi fixado na língua dos voluntários que não tinham piercing utilizando uma cola especial.


Quais as implicações deste estudo?
Logo de cara, percebe-se que apesar de promissor, o dispositivo foi testado apenas dentro do ambiente controlado de um laboratório de pesquisas. Estudos maiores em condições do mundo real, onde dificuldades não previstas podem (e irão) surgir, são necessários antes que este equipamento possa ser comercializado.
Esta inovação atraiu a minha atenção porque muitas pessoas com lesões, ou mesmo doenças neurológicas mantém intacta a motricidade da língua. A meu ver, este dispositivo pode ser utilizado não só para mover a cadeira de rodas, mas também para utilizar um computador, celular, TV, acender e apagar luzes, abrir e fechar portas adaptadas, jogar Call of Duty e Halo 2.

Fontes:







quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Nova tecnologia de próteses

O Cirurgião Ortopédico norte- americano Ronald Hugate, serviu durante 4 meses em um hospital de campanha no oriente médio, e desde que retornou aos EUA está desenvolvendo uma nova tecnologia de próteses para ajudar pessoas que sofreram amputações. No momento ele está trabalhando em conjunto com estudantes de engenharia da universidade de Denver -USA. para desenvolver uma prótese permanente.

Eu acessei a página da Clínica de Denver (Acesse AQUI), e pelo que entendi, me parece que a idéia é desenvolver um modelo híbrido combinando uma haste intramedular que funcionaria como uma endoprótese, mas que se projetaria para fora do coto de amputação, o que permite que seja conectada a um membro protético.
Ele chama esta técnica de integração óssea, e tem por objetivo melhorar a interface entre a prótese e o membro residual.


Eu achei esta idéia super interessante, principalmente para as pessoas que tem um coto de amputação curto, pois um coto curto dificulta muitíssimo o encaixe das próteses que temos atualmente, e frequentemente compromete a funcionalidade da prótese.
Segundo Ronald Hugate, este projeto pode estar pronto em dois anos, e tem potencial para substituir a atual tecnologia de soquete que tem alguns inconvenientes como formação de bolhas, a necessidade do controle ponderal do paciente (se a pessoa engordar ou emagrecer, o volume do membro residual se altera e também altera o encaixe da prótese).
Assista a reportagem abaixo.




Pois é galera, preparem-se para o futuro.

sábado, 9 de novembro de 2013

Descoberto novo ligamento no joelho?

Confesso que fiquei perplexo com a notícia que vi no facebook e depois em alguns sites da internet. Foi divulgado na rede que pesquisadores belgas haviam descoberto um novo ligamento no joelho. Pensei comigo mesmo: Como assim deixaram escapar um ligamento todos esses anos? e logo no joelho! Anos e anos de estudos morfológicos, centenas de milhares de Ressonâncias Magnéticas, incontáveis cirurgias em  joelhos de pessoas ao redor do mundo e simplesmente, de repente, alguém descobre um novo ligamento no joelho? Fiquei realmente intrigado, e fui atrás do artigo original para saber mais sobre esta descoberta inacreditável.


O artigo em questão foi publicado em agosto de 2013 no Journal of Anatomy (Acesse clicando AQUI ) com o título “Anatomy of the anterolateral ligament of the knee” (Anatomia do Ligamento Anterolateral do Joelho). A descoberta deste novo ligamento seria realmente fantástica, exceto por um pequeno detalhe: O até então “ ligamento desconhecido“ já havia sido descrito há mais ou menos uns 134 anos atrás por um cirurgião francês chamado Paul Segond (tá aqui a publicação original onde ele descreve o ligamento – Obs: tá em francês,  Acesse Clicando AQUI  ). Ok pessoal, detesto ter de zoar com a manchete dos sites de notícias, mas infelizmente esta é a verdade.
O que eu achei mais curioso disso tudo foi que a informação de que o Ligamento anterolateral do Joelho não foi nenhuma “descoberta” pode ser facilmente encontrada na primeira linha do resumo do artigo: “In 1879, the French surgeon Segond described the existence of a ‘pearly, resistant, fibrous band’ at the anterolateral aspect of the human knee... " (Em 1879 , o cirurgião francês Segond descreveu a existência de uma faixa fibrosa,resistente e perolada no aspecto anterolateral do joelho humano...)
Obviamente que o artigo não é uma fraude. O estudo é relevante pois faz uma avaliação qualitativa e quantitativa da relação do ligamento anterolateral com outras estruturas anatômicas próximas e levanta a discussão sobre a importância biomecânica deste ligamento.Trata-se portanto de uma investigação mais detalhada e minuciosa de uma estrutura anatômica já conhecida porém pouco estudada e não necessariamente uma descoberta. Porém o que mais me intrigou  foi o fato de que os sites de notícia se preocuparam apenas em copiar e colar a manchete sem ao menos verificar a fonte original.
Mas graças ao meu comportamento esquizofrênico/paranóico de duvidar da realidade, fui em busca de outros artigos científicos sobre o tal Ligamento Anterolateral e olhem só o que eu achei: Um trabalho publicado por pesquisadores da USP na Revista Brasileira de Ortopedia com o título: Estudo anatômico do Ligamento Anterolateral do Joelho (Acesse Clicando AQUI )
E pasmem: Publicado em abril de 2013!!!!!
Eu não sou anatomista, e pode ser que eu esteja enganado, mas pela descrição dos ligamentos, me parece que os dois artigos descrevem a mesmíssima estrutura anatômica.

MORAL DA HISTÓRIA:

Faça como o He-Man, não acredite em tudo que aparece no facebook.

Hasta la Vista amigos

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Infográfico VNI no Edema Agudo de pulmão

Olá Fisionautas!
Entrei  numa onda meio loca esta semana e resolvi me dar ao trabalho de criar um infográfico sobre VNI.
Como não sou designer, e como este foi o primeiro infográfico que fiz, posso dizer que me sinto realizado com o resultado e espero que os próximos sejam melhores.
Para baixar o arquivo em pdf, acessem o link abaixo
 http://www.mediafire.com/?sohlhb0zhhhb5zy
Hasta la Vista amigos!
Espero que vcs também gostem

domingo, 27 de outubro de 2013

Fisioterapeutas podem ter tatuagens?

Tatuagens vem se tornando cada vez mais populares. Basta um pequeno passeio pelas ruas de qualquer grande cidade para encontrarmos todo tipo de pessoas exibindo suas tatuagens. Podemos encontrar desde freqüentadores de academias de musculação até vovózinhas aposentadas, com desenhos variando de discretas borboletas até fechamentos completos de braço e costas. Isso demonstra que a tatuagem conquistou espaço em nossa cultura como arte e como forma de expressão. Mas apesar disso tudo, é preciso lembrar que elas ainda são vistas com preconceito.
É claro que o fato de uma pessoa imprimir desenhos na pele não a torna mais ou menos inteligente, competente ou qualificada para uma atividade, porém pode interferir com algumas oportunidades de trabalho. A postagem de hoje não pretende fazer juízo de valor sobre tatuagens. Não, definitivamente a minha intenção não é essa. Busco apenas compartilhar algumas reflexões e experiências sobre o tema tatuagem e fisioterapia.

Tatuagem pra quem? 
Inicialmente é preciso entender que existem bons motivos para se fazer uma tatuagem. Ela pode ser uma forma de expressar sua individualidade, suas crenças e religião, prestar homenagem a pessoas queridas (vivas ou falecidas), ou simplesmente adornar o corpo com algo considerado bonito. Mas como eu disse anteriormente, em nosso meio a tatuagens ainda é um tabu e pode ser considerada ofensiva por muitas pessoas. A natureza do trabalho desenvolvido por fisioterapeutas envolve, na maioria das vezes, o contato direto, olho a olho e a construção de vínculos de confiança.

Aqui vale a pena fazer uma pequena observação: Ao se candidatar a uma vaga de trabalho em clínicas ou hospitais, a presença de uma tatuagem em local visível pode não ser bem aceita pelo empregador. De fato, em uma pesquisa realizada em 2012 pela revista Você SA, foram entrevistados diretores de RH de 39 empresas, e identificou que tatuagens em locais visíveis, como mãos, antebraço e pescoço poderiam atrapalhar as suas chances de conseguir um emprego. Eu desconheço qualquer pesquisa feita em estabelecimentos de saúde com o objetivo de identificar a opinião do empregador ou dos pacientes a respeito de tatuagens, mas conheço ao menos um caso pessoas que se recusaram a ser atendidas por fisioterapeuta com tatuagens.

Se pararmos um minuto para refletir, veremos que esta recusa não é tão estranha assim. Pense bem: um dos impedimentos para a doação de sangue é justamente ter feito uma tatuagem a menos de um ano. Além disso, em recente campanha de testagem de Hepatite B, o cartaz do Ministério da Saúde recomenda que as pessoas que fizeram tatuagem ou piercing recentemente façam a testagem e vacinem-se contra Hepatite B. Obviamente que esta não é uma medida discriminatória. Esta recomendação se deve ao fato de que nem sempre tatuagens são feitas em estúdios com a higiene e cuidados necessários. Quando feitas em locais clandestinos (e de baixo $$$$), expõem as pessoas ao risco de contrair Hepatite, HIV e toda sorte de vírus, bactérias, fungos ou encostos espirituais.
Muitos pacientes não sabem disso (e nem são obrigados a saber!) e a mensagem transmitida é a de que a tatuagem talvez não seja algo assim tão “saudável”, afinal de contas exige uma quarentena de um ano antes de se poder doar sangue. Não vou entrar no mérito se é correto ou não colocar todos os tatuados num mesmo saco, mas isso pode justificar a atitude de não querer atendimento de pessoas tatuadas.
"Este delinquente poderia salvar sua vida"

Algumas reflexões finais
Se você tem, ou pretende fazer tatuagens uma coisa é certa: tatuagens nunca passam despercebidas e as pessoas irão fazer julgamentos a respeito dos desenhos. Se este julgamento será positivo ou negativo vai depender de uma série de fatores. No entanto, se você atribui um significado especial à tatuagem, e realmente acredita que é algo que merece ser feito ou mantido por quaisquer motivos (que aliás, só interessam a você), então quem sou eu para dizer algo ao contrário. Só recomendo que faça em um estúdio descente, com tatuadores profissionais e não rabiscadores para não se arrepender depois ou acabar sendo chacota como a foto abaixo.  
Quero terminar dizendo que para mim tatuagens bem feitas (repito: BEM FEITAS!) são obras de arte, e espero que com a sua popularização não sejam utilizadas como critério para avaliação da competência profissional de ninguém.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

PROVA COMENTADA - INSS - FISIOTERAPEUTA 2013

Olá Fisionautas!
Conforme prometido, cá estou eu na minha postagem semanal. desta vez trouxe o comentário das primeira 10 questões da prova anulada da Funrio. As provas para fisioterapia foram anuladas para os candidatos que concorrem para vagas na Superintendência Regional Nordeste e Superintendência Regional Sul. De qualquer forma, aponto aqui algumas questões que cebem recurso para serem anuladas. 
Desejo boa sorte com a nova prova para o pessoal do Sul e Nordeste
Vai lá.

Questão 51 - A maioria dos estudos demonstrou efetividade na redução nos níveis de vários fatores de risco para a doença coronariana,exceto
A) Triglicerídeos.
B) LDL-colesterol e HDL-colesterol.
C) Intolerância à glicose.
D) Colesterol total.
E) Pressão arterial sistólica e diastólica.

GABARITO: Alternativa B
COMENTÁRIO:
Embora a redação desta questão esteja um pouco confusa. Mas com um pouco de boa vontade, é possível perceber que a pergunta diz respeito a identificação de fatores de risco de doença coronariana, mais especificamente àqueles cuja redução não é considerado como fator de proteção.
Vou começar a análise das alternativas relembrando o conceito de dislipidemia. Basicamente, a Dislipidemia é a presença de níveis elevados ou anormais de lipídios e/ou lipoproteínas no sangue. O risco de doença coronariana aumenta significativamente com valores elevados de Colesterol Total, triglicerídeos e LDL. A partir desta informação, podemos considerar que as alternativas A e D são verdadeiras; isto é: sua redução reduz o risco de doença coronariana. 
A Pressão Arterial é outra variável que quando reduzida, também reduz o risco de doença coronariana, assim, a alternativa E também é verdadeira.
A ointolerância a glicose ou pré-diabetes é considerado um fator de risco. Na medida em que você reduz a intolerância à glicose, você também reduz os riscos de eventos cardíacos. Portanto agora só nos resta analisar a alternativa B.
Já vimos que a redução dos níveis de LDL estão associados a redução de risco, porém com relação ao HDL, ocorre o inverso; isto é: o risco aumenta à medida que seus valores diminuem. Desta forma, podemos concluir que a alternativa B é a única que contém uma variável (HDL) que quando em níveis reduzidos, aumenta o risco de doença coronariana.

FONTE:
Consenso Brasileiro Sobre Dislipidemias:  Detecção, Avaliação e Tratamento - Sociedade Brasileira de Cardiologia  http://publicacoes.cardiol.br/consenso/1994/6301/63010014.pdf

Avaliação dos fatores de risco para doença arterial coronariana em pacientes de São Caetano do Sul segundo o Escore de Framingham e sua relação com a síndrome metabólica. http://www.cepsanny.com.br/pdf/v1n1a2.pdf


Questão 52 - O método hidroterapêutico que incorpora as técnicas de facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) denomina-se
A) Halliwick.
B) Ruoti.
C) Watsu.
D) Anéis de Bad Ragaz.
E) Kabat Modificado.

GABARITO: Alternativa D

COMENTÁRIO:
Esta é uma questão que considero fácil, mas que é bem interessante de comentar pois permite abordar as 3 principais técnicas de hidroterapia. Mas antes de apresentar as técnicas, preciso excluir as alternativas B e E, pois referem-se a técnicas que não existem.
International Halliwick Association define o conceito Halliwick como: "uma abordagem para ensinar todas as pessoas, em particular às com deficiência, atividades aquáticas, movimentação independente na água e a nadar. Portanto, sem ligação direta com os conceitos de PNF.

O Watsu, também denominado “Water Shiatsu” trata-se de um método originado a partir do Zen Shiatsu e consiste em alongamentos passivos, massagens e mobilizações articulares bem como aplicação de pressão sobre pontos de acupuntura. Este método também não tem ligação com os conceitos utilizados no PNF.
Sobra, portanto, a alternativa D. O método dos anéis de Bad Ragaz (ou simplesmente Bad Ragaz, ou ainda como também é conhecido na novela das 9 pelo personagem Félix: “método do Anel Pega-Rapaz”), consiste na associação de flutuadores e exercícios funcionais baseados no conceito PNF.

FONTE:
Conceito Halliwick inclusão e participação através das atividades aquáticas funcionais  http://www.actafisiatrica.org.br/detalhe_artigo.asp?id=468 


Efeitos do método watsu na flexibilidade e na autonomia funcional de idosas senescentes  http://www.unama.br/novoportal/ensino/graduacao/cursos/fisioterapia/attachments/article/133/efeitos-do-metodo-watsu-na-flexibilidade.pdf



Questão 53- Sulfato de Magnésio, Salicilatos, Iodo e Óxido de Zinco são substâncias empregadas no tratamento dos espasmos musculares, nas mialgias agudas ou crônicas, nos processos inflamatórios e nas úlceras cutâneas, através da iontoforese, quando colocadas, respectivamente, nos eletrodos de polaridade
A) NEGATIVO – POSITIVO – NEGATIVO – POSITIVO
B) NEGATIVO – NEGATIVO – POSITIVO – POSITIVO
C) POSITIVO – NEGATIVO – NEGATIVO – POSITIVO
D) POSITIVO – POSITIVO – NEGATIVO – NEGATIVO
E) NEGATIVO – POSITIVO – POSITIVO – NEGATIVO

GABARITO: Alternativa  C
COMENTÁRIO:
Foi difícil encontrar a resposta desta questão. Após muito pesquisar na internet, finalmente encontrei uma tabela que informava a polaridade das substâncias citadas. A tabela faz parte do manual de um equipamento de eletroterapia. Como se trata de decoreba, não faz sentido eu repetir o gabarito, mas quem quiser (realmente) se dedicar a decorar a polaridade e a indicação dos fármacos utilizados na iontoforese, recomendo utilizar a tabela que está na página 66 do manual do equipamento, disponível no site: http://www.cappefisio.com.br/stimulus-r.pdf ..   

Questão 54 -  Pode-se concluir pela Avaliação da Função Pulmonar que as reduções de todos os volumes pulmonares e de todas as capacidades pulmonares estão associadas a distúrbios
A) metabólicos.
B) obstrutivos.
C) infecciosos.
D) restritivos.
E) obstrutivos e restritivos de qualquer natureza.

GABARITO: Alternativa D

COMETÁRIO:
Os distúrbios ventilatórios avaliados nos testes de função pulmonar são classificados em obstrutivos, restritivos e mistos. Assim, logo de cara, podemos excluir as alternativas A e C. Pacientes com distúrbios obstrutivos apresentam limitação ao fluxo aéreo enquanto os distúrbios restritivos reduzem os volumes e capacidades. O Derrame pleural é um bom exemplo de distúrbio restritivo que podemos utilizar para entender este conceito. Com o derrame pleural, ocorre redução da expansibilidade torácia, você tem líquido na cavidade pleural que impede os alvéolos de se inflarem completamente. É fácil entender que quanto maior o derrame pleural, menor o volume de ar que entra no pulmão acometido. Se realizarmos um teste de função pulmonar, observaremos uma redução em todos os volumes e capacidades pulmonares, que será mais evidente em derrames mais volumosos.
 


Questão 55 - O Grande Dorsal, músculo de alta relevância biomecânica, clínica e terapêutica, tem significativa participação em vários movimentos, exceto
A) Elevação da Pélvis.
B) Extensão do Ombro.
C) Rotação Interna do Ombro.
D) Adução do Ombro.
E) Rotação Externa do Ombro.

GABARITO: Alternativa E

COMENTÁRIO
Esta questão permite uma resolução  interessante. O candidato (ou candidata) que não conseguir relembrar as ações do Grande Dorsal, pode aumentar as chances de acertar a questão no chute. Basta observar que as alternativas C e E são contraditórias: O Grande Dorsal não faz simultaneamente rotação interna e externa do ombro. Assim, teríamos 50% de chance do chute acertar o gabarito.   



Questão 56 - Há evidências de que a prática de atividade física moderada e regular, iniciada precocemente, reduz no idoso as doenças abaixo, exceto
A) Câncer de cólon.
B) Osteoporose.
C) Câncer de próstata.
D) Esclerose múltipla.
E) Diabetes tipo II.

GABARITO: Alternativa D

COMENTÁRIO:
Geralmente nos lembramos que o exercício físico é bom para o coração, porém seus efeitos não se limitam ao sistema cardiovascular. A atividade física regular é de extrema importância para os idosos. Exercícios regulares podem influenciam a manutenção das atividades ósseas normais e podem aumentar significativamente a densidade mineral óssea. Com relação a Diabetes, é bem conhecido o fato que as atividades físicas ajudam no controle glicêmico e funcionam como fator de proteção contra o desenvolvimento de Diabetes. O exercício físico regular também tem efeito protetor contra diversos tipos de câncer, no entanto , esta relação de prevenção não é estabelecida com relação a Esclerose Múltipla, em parte devido ao fato de ser uma patologia relativamente rara, e ainda sem etiologia definida. 

Questão 57 - Na avaliação geral das funções físicas do paciente acometido por acidente vascular encefálico, podemos quantificar as atividades de vida diária básicas através do Índice de
A) Katz.
B) Pearl.
C) Kreutzer.
D) Apgar.
E) Moore.

GABARITO: Alternativa A

COMENTÁRIO:
O Índice de Independência nas Atividades de Vida Diária, foi desenvolvido para medir as Atividades de Vida Diária de pacientes com doenças crônicas. O índice apresenta três gradientes, cujos extremos são: totalmente independente e dependente. Avalia atividades como o tomar banho, vestir-se, alimentar-se e levantar-se da cama ou de uma cadeira, entre outros. Ah! E antes que alguém me escreva para lembrar que a atuação nas AVD'S é ato privativo do TERAPEUTA OCUPACIONAL, normatizada pela resolução 316 de 2008 do COFITTO, lembro que eu estou apenas comentando uma prova. Se alguém achou ruim e quiser reclamar, recomendo que faça diretamente a organização do concurso.
Fonte: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v41n2/20.pdf

Questão 58 - O “Teste de Ober” avalia a presença da contratura do(s)
A) manguito rotador.
B) isquiotibiais.
C) adutores do quadril.
D) abdutores do ombro.
E) músculo externo da grande fáscia e do feixe iliotibial.

GABARITO: Alternativa E

COMENTÁRIO:
O teste de Ober é utilizado para avaliar o encurtamento do trato iliotibial. Neste teste, o indivíduo deve ser posicionado em decúbito lateral, com a perna inferior fletida no quadril e joelho, o suficiente para retificar a lordose lombar, e o joelho da perna superior deve ser fletido a 900. Após ter sido realizado o posicionamento adequado, o examinador deve segurar com uma das mãos o tornozelo da perna superior e com a outra estabilizar o quadril e, em seguida, abduzir e estender esta perna até a coxa se encontrar alinhada com o corpo. Então, é permitido que a coxa caia em direção à superfície nesse plano e o teste deve ser interpretado a partir da quantidade de adução do quadril


Questão 59- As úlceras crônicas podem ser tratadas com estimulação elétrica para fins de acelerar sua cicatrização através de algumas modalidades de correntes elétrica, exceto a seguinte corrente:
A) Contínua de baixa amplitude.
B) Pulsadas monofásicas de alta frequência.
C) Pulsadas monofásicas de baixa frequência.
D) Pulsadas bifásicas de baixa frequência.
E) Ultrassom Pulsátil.

GABARITO: alternativa B

COMENTÁRIO:
Esta questão é controvesta, e na minha opinião deveria ser anulada por dois motivos:
#1- Entre as alternativas temos o Ultrassom, que embora seja utilizado para acelerar a cicatrização tecidual, ele não é corrente elétrica, esta alternativa pode induzir o candidato ao erro (mas como veremos a seguir, o próprio gabarito está errado).
#2 – A eletroestimulação de alta voltagem consiste em pulsos gêmeos, monofásicos, unidirecionais, que se elevam instantaneamente e decaem exponencialmente em alta voltagem, que promovem o aumento do fluxo sanguíneo, fagocitose, melhora da oxigenação, redução do edema, atração e estimulação de fibroblastos e células epiteliais, síntese de DNA, mitose celular, controle de infecção, aumento da produção de ATP, melhora do transporte nas membranas, auxílio na organização da matriz de colágeno, estimulação da contração da ferida com migração de células da epiderme para o centro da úlcera. Ou seja:a alternativa B é uma forma eficiente de promover a cicatrização tecidual, e portanto o gabarito é incoerente.
Fonte: USO DA ELETROESTIMULAÇÃO DE ALTA VOLTAGEM NA CICATRIZAÇÃO DE ÚLCERAS VENOSAS  -  disponível para download clicando [[[[[AQUI]]]]]]:

Questão 60 - A abordagem cinesioterapêutica de melhor eficácia para redução das contraturas moderadas ou graves nos amputados transfemural ou transtibial consiste na seguinte atividade:
A) Exercícios ativos livres.
B) Exercícios ativos resistidos.
C) Alongamento passivo.
D) Alongamento passivo após aplicação de calor.
E) Alongamento por facilitação neuromuscular proprioceptivo.

GABARITO: Alternativa E

COMENTÁRIO:

Eu confesso que não consegui encontrar um livro ou artigo que demonstre a superioridade do PNF sobre as demais técnicas listadas. 

sábado, 19 de outubro de 2013

Complicações cardíacas na Distrofia Muscular de Duchenne

ATENÇÃO!!!
O conteúdo desta postagem é direcionada a estudantes e profissionais de saúde.
Para orientações quanto ao acompanhamento da distrofia muscular, acesse o site da Associação Brasileira de Distrofia Muscular  


Olá Fisionautas,
Quando decidi escrever um blog de fisioterapia o meu maior objetivo era o de tentar lançar um olhar diferenciado sobre alguns assuntos relacionados com a fisioterapia e reabilitação. Acredito que esta postagem exemplifica bem o espírito desta iniciativa. Hoje vou falar sobre uma comorbidade comum na Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), porém muito pouco falada: A disfunção cardíaca em pacientes com DMD.
Um dos aspectos interessantes deste assunto é que a disfunção cardíaca em pacientes com DMD só se tornou relevante devido a maior sobrevida desta população, causada principalmente pelo prolongamento da vida destes pacientes.

A DISTROFIA MUSCULAR DE DUCHENNE
Só pra relembrar; A DMD é uma doença hereditária progressiva, de herança recessiva ligada ao cromossomo X que afeta o gene responsável pela síntese da distrofina. A distrofina é uma proteína que ajuda na estabilização da membrana celular dos músculos esqueléticos e também dos músculos cardíacos. Como conseqüência, pacientes com DMD apresentam células musculares muito frágeis.
A fraqueza muscular progressiva e as complicações respiratórias são os aspectos mais evidentes e os principais focos de intervenção dos fisioterapeutas. A melhoria dos cuidados está gerando uma queda na incidência de mortes por insuficiência respiratória na DMD, ao passo que as mortes por acometimento cardíaco estão se tornando cada vez mais freqüentes. Fisioterapeutas que atuam com crianças e adolescentes precisam estar familiarizados com as repercussões cardíacas da DMD.  


COMO O CORAÇÃO É AFETADO NA DISTROFIA MUSCULAR DE DUCHENNE
O envolvimento cardíaco na DMD é freqüente, insidioso e está presente em aproximadamente 80% dos pacientes. Como estes pacientes estão sujeitos a acentuada restrição de mobilidade, mesmo que estejam com disfunção sistólica acentuada, os primeiros sintomas de disfunção cardíaca podem demorar a se manifestar – o que é ruim, pois quando surgem o coração pode já estar bastante comprometido - Os sintomas de disfunção cardíaca podem ser vagos e inespecíficos, como fadiga, perda de peso, vômito, distúrbios do sono. Estes pacientes freqüentemente desenvolvem arritmias e podem apresentar bloqueio AV completo associado a disfunção sistólica grave no estágio final da doença (para maiores detalhes acesse:  )
No coração, a DMD está relacionada a substituição progressiva de cardiomiócitos e do sistema de Purkinje por tecido conjuntivo, fibrose ou por gordura. Estudos histológicos têm demonstrado que fibras cardíacas de Purkinje apresentam necrose similar à notada nos músculos esqueléticos

A detecção precoce de cardiomiopatia é importante, pois a instituição de  terapias médicas cardioprotetores pode retardar o remodelamento cardíaco adverso e atenuar sintomas de insuficiência cardíaca nestes pacientes.
LIÇÕES:

Muito bem amiguinhos e amiguinhas, como os fisioterapeutas são os profissionais de saúde que certamente mais tem contato com a criança com DMD, é nosso dever orientar a família. Desta forma, na minha opinião, a grande lição desta postagem é aseguinte: 

Os sintomas cardíacos são difíceis de se identificar em crianças e adolescentes com DMD, assim, podemos orientar a família a ter o acompanhamento preventivo de um cardiologista, mesmo antes da piora dos sintomas respiratórios.

domingo, 13 de outubro de 2013

Mitos e Lendas da Fisioterapia - Dor articular e Mudanças no tempo, existe relação?

“- Minha artrose sempre dói quando o tempo vira”.
Provavelmente você conhece alguém que jura ser capaz de fazer previsões meteorológicas a partir da dor no joelho ou em alguma outra parte do corpo. Mas será que existe alguma explicação científica plausível para justificar este fenômeno? 

Apesar de parecer um assunto banal, estamos na verdade diante de uma questão bastante complexa pois se trata de investigar uma relação de causa e efeito. Diga-se de passagem, uma das mais difíceis de se comprovar.
A pergunta primordial “Mudanças no tempo geram dor em pessoas com problemas articulares?” (daqui em diante chamarei de alterações meteorológicas) esconde uma série de vieses e armadilhas, como por exemplo: o que entendemos por mudanças meteorológicas? devemos considerar apenas a relação da dor com a presença de chuva ou também a mudança de temperatura (tanto para frio quanto para calor)? mudanças da pressão atmosférica? acúmulo de cargas elétricas na atmosfera? fases da lua? raios cósmicos? flutuações do campo magnético da Terra? Ou será que devemos ver tudo isso e mais o horóscopo chinês do dia? Além disso, de quais problemas articulares estamos falando? traumas, doenças reumatológicas ou doenças degenerativas?
Uma outra armadilha bem mais sutil envolve a percepção seletiva: Será que as pessoas associam dor e mudança meteorológica simplesmente  por estarem mais atentas a dor quando o tempo vira, muito embora também sintam dor mesmo com o tempo estável? Ficou meio confunso, né? Vou tentar explicar melhor com um outro exemplo: É um fenômeno relativamente bem conhecido o fato que mulheres grávidas relatam perceber outras mulheres grávidas em todos os lugares. Isso acontece por causa da percepção seletiva. Grávidas ficam mais atentas a outras mulheres na mesma condição. aplicando este raciocínio a questão das dores durante mudanças meteorológicas, o questionamento passa a ser: será que as pessoas ficam mais atentas ao surgimento de dor durante a mudança meteorológica?

Hipóteses e explicações:
Existem algumas hipóteses que tentam explicar fisiologicamente o porquê pessoas com problemas articulares sentem dor com a mudança do tempo. Vamos ver algumas:
#1- A mais tradicional refere-se a pressão atmosférica. Se temos uma articulação propícia ao edema (como no caso de trauma recente, doenças reumatológicas ou artrose), uma queda na pressão atmosférica teria um efeito sobre a articulação, permitindo um extravasamento de líquidos (efeito contrário da hidroterapia, quando o aumento da pressão externa ao corpo, preveniria os edemas). Como existem terminações nervosas nos tecidos, ao edemaciar, estes nervos seriam estimulados gerando dor.
#2 – Queda na temperatura também pode causar dor, pelo fenômeno de Raynaud. O frio geraria uma vasoconstricção, mais uma vez afetando as terminações nervosas e gerando dor.
#3 – Uma explicação mais holística e mais elegante diz que pessoas idosas ou com restrição ao movimento tendem a evitar sair de casa (algumas vezes evitam sair da cama também) quando chove ou quando está frio. Sedentarismo é um fator reconhecidamente relacionado a piora das dores de pacientes com doenças reumatológicas.
#4 - Uma quarta explicação faz referência a dor nos ossos fraturados. Diz que o foco de fratura sofre dilatação e constricção com as mudanças da temperatura ambiente (igualzinho uma viga de construção civil). Na minha opinião (posso até estar errado, mas neste momento me permito uma certa arrogância) esta explicação é muito viajante, pelo simples fato do interior do corpo manter sua temperatura interna relativamente constante.   


O que a literatura científica diz
Fiz uma busca simples no Google com os seguintes termos: Wheather+Pain+Osteoarthritis+pdf   e uma segunda busca com os termos: Dor+Artrose+”mudança de tempo”+pdf.
Encontrei vários artigos, mas para não alongar muito esta postagem, vou comentar apenas os dois artigos recentes. Um sobre artrite e outro sobre fibromialgia. Mas no final da postagem tem um link para os outros trabalhos pesquisados.

Influência de elementos meteorológicos na dor de pacientes com osteoartrite: revisão da literatura
 http://www.scielo.br/pdf/rbr/v51n6/v51n6a08.pdf
Neste artigo os autores analisaram 8 artigos envolvendo osteoartrose e artrite reumatóide, mas não foi possível observar um consenso com relação ao efeito das alterações meteorológicas. Um trecho interessante da discussão vale a pena ser destacada: “Na literatura visitada, o maior erro no desenho do estudo, além do tamanho amostral, foi a impossibilidade de manter os indivíduos participantes desinformados sobre as variações meteorológicas do período em que deveriam responder ao questionário. Presume-se que os indivíduos, em algum momento, tenham tomado conhecimento das condições e previsões do tempo pelos meios de comunicação. Essa informação poderia ter se refletido inconscientemente na propensão a relatar a dor da osteoartrose”
Os autores relatam também que apesar dos resultados conflitantes, as pesquisas mais recentes apontam para a existência de relação entre  mudanças climática e dor.

Influence of Weather on Daily Symptoms of Pain and Fatigue in Female Patients With Fibromyalgia: A Multilevel Regression Analysis (somente abstract) 
Este trabalho conclui que existem mais evidências contra do que a favor da influência de mudanças meteorológicas na dor e fadiga de mulheres com fibromialgia, muito embora algumas das pesquisadas pareçam ser mais sensíveis a alterações climáticas, esta não parece ser uma característica comum a toda a amostra de pacientes pesquisadas.


Conclusão
As pesquisas não são conclusivas. Mas permitam-me algumas observações:
#1- Se o seu, ou sua paciente diz que sente dor quando o tempo muda, ACREDITE ! Faz parte da relação terapeuta-paciente estabelecer confiança e empatia. Além disso, se ela está convicta que sente dor quando o tempo muda, você realmente acredita que é capaz de fazê-la mudar de idéia?
#2 – Eu tenho o ligamento cruzado parcialmente rompido e de fato sinto dor quando o tempo muda. Só que não é sempre. Muitas vezes o tempo vira e não sinto nada, e muitas vezes também sinto dor com o tempo estável. Então posso dizer que ao menos no meu caso não é possível estabelecer uma relação entre dor e meteorologia.


Referências:

domingo, 10 de março de 2013

Gelo e Ultrasom, podemos combinar estas duas terapias?


Embora muitas modalidades de tratamento fisioterapêutico ainda não tenham a devida comprovação, devemos sempre que possível buscar práticas que sejam baseadas em evidências. A postagem de hoje apresenta uma discussão sobre a aplicação do ultrasom imediatamente após a Crioterapia.

Inicialmente pensei em classificar esta postagem na seção de “Mitos e Lendas da Fisioterapia”, mas julguei que seria mais interessante abrir um espaço para o debate, afinal de contas “a falta de evidência não é uma evidência”. Gostaria muito que as pessoas contribuíssem com informações sobre o assunto.
Pois bem, vamos lá;

GELO E ULTRA-SOM
Eu aprendi na Faculdade que quando aplicado antes do ultra-som, a crioterapia é capaz de potencializar os efeitos mecânicos do US. Esta idéia se baseia no fato de que se você reduz a temperatura tecidual você aumenta a densidade e assim potencializa os efeitos da micromassagem do ultrasom pulsátil. Como de praxe fiz uma busca no Google e em algumas bases de dados, e fiquei surpreso por não encontrar absolutamente nada sobre ultrasom pulsátil associado ao Gelo.
Pra não dizer que foi uma busca inútil, encontrei dois artigos que investigaram o uso do Gelo antes do Ultrasom, porém estes artigos investigaram a premissa de que a crioterapia antes do US aumentaria o pico de temperatura alcançado nos tecidos.
As informações desta postagem são baseadas nos artigos -  Temperature Changes  in Deep Muscles of Humans During Ice andUltrasound Therapies: An In Vivo Study, publicado em 1995 no JOSPT, e no artigo Temperature Changes During TherapeuticUltrasound in the Precooled Human Gastrocnemius Muscle, publicado no Periódico  Journal os Atthletic Training, em 1994.

Em ambos os artigos os autores se questionam se a premissa de que os efeitos atribuídos ao gelo associado ao US são baseados em princípios científicos ou simples especulações, e discutem os fundamentos teóricos que justificariam o uso de gelo antes do US.
Uma explicação para a popularidade do uso do gelo antes do US pode ter haver com achados relativos a qual meio oferece a melhor transmissão de US, e a possibilidade de que a temperatura do meio influencie o desfecho térmico do tratamento.

Lehman et al (Lehmann  JF,  DeLateur  BJ,  Silverman DR: Selective heating  effects of ultra-sound in human beings. Arch Phys Med Rehabil 47:33 1-339, 1966) relataram que um meio de condução frio (gel de acoplamento resfriado) foi capaz de causar um aumento mais significativo na temperatura tecidual do que um gel aquecido ou de um gel em temperatura ambiente. Estes autores concluíram que a temperatura ideal para o gel de US deveria ser inferior a 21°C. A idéia de que a crioterapia prévia ao US seja similar ao uso de gel de acoplamento resfriado pode ter sido a razão pela qual os fisioterapeutas começaram a usar crioterapia antes do US. Entretanto existe uma enorme diferença entre o gelo antes do US e a aplicação de um meio de acoplamento gelado, pois quando o meio de contato gelado é aplicado sobre a pele, seguida imediatamente da aplicação do US, existe um tempo muito curto para causar vasoconstrição e resfriamento significativo.

É interessante notar que esta é uma referência de 1966, ou seja: Um hipótese equivocada pode ter passando por várias gerações de fisioterapeutas, e que somente 30 anos depois,  em 1994 foi conduzido o primeiro experimento (pelo menos os que eu encontrei) que investigou a efetividade do tratamento ! ! ! ! ÊÊÊÊITA  placebo véio sô !!!

Algumas passagens merecem ser destacadas. Com relação aos fundamentos teóricos da prática :
“... o US precisa de um meio denso para obter seu efeito máximo. De acordo com várias pesquisas,(...) o US é melhor absorvido em tecidos densos que tenham bastante proteínas. Quanto mais denso o meio, melhor a onda de US será absorvida pelos tecidos, possivelmente resultando em maiores efeitos terapêuticos. Esta é basicamente a justificativa para o uso do Gelo antes do US.” (...)“Em geral, a crioterapia estimula respostas fisiológicas como a vasoconstricção e redução do fluxo sanguíneo. Isso não apenas resulta em redução da temperatura local mas, pelo menos em teoria, pode ajudar a aumentar temporariamente a densidade dos tecidos que estão sendo tratados, consequentemente aumentando os efeitos mecânicos dos US.”
Temperature Changes in Deep Muscles of Humans During Ice and Ultrasound Therapies: An In Vivo Study

Estes autores concluíram que o gelo antes do US não oferece nenhuma vantagem adicional ao tratamento, conforme a passagem abaixo da discussão:
“O protocolo do estudo envolveu 5 minutos de aplicação de gelo antes do US. O gelo causou vasoconstricção e consequentemente exigiu mais calor do US para aquecer os tecidos, dilatar os vasos e distribuir o calor. Desta forma, o uso do gelo antes do US pode ter permitido uma queda excessiva da temperatura, impedindo ao invés de potencializar a efetividade termal do US. Um conclusão que pode ser traçada a partir dos resultados é a de que  a uma profundidade de 5cm , o pré-resfriamento de tecidos por 5 minutos antes do US não gera benefícios se o propósito do US é o de criar um aumento significativo na temperatura tecidual. “
Temperature Changes in Deep Muscles of Humans During Ice and Ultrasound Therapies: An In Vivo Study

Os autores Rimington et al. Obtiveram os mesmos resultados, porém são mais agressivos em seus comentários:  
“Se o propósito do tratamento com US é o de aumentar a temperatura do tecido a uma profundidade de 3 cm, o pré-resfriamento (crioterapia) do tecido durante 15 minutos antes de US é um exercício de futilidade. (...) A suposição clínica de que o resfriamento dos tecidos antes de um tratamento com US aumenta a temperatura de pico de tais tecidos não é verdade. A incapacidade do US elevar a temperatura da área até mesmo de volta para a linha de base pré-tratamento,  demonstra os efeitos dominantes do gelo.”
Temperature Changes During Therapeutic Ultrasound in the Precooled Human Gastrocnemius Muscle. 
Muito bem, estes artigos não respondem a minha dúvida inicial que é a influência do Gelo para os efeitos não térmicos do US, mas creio que esta postagem deixa claro duas coisas: #1- Os gringos também usam tratamentos empíricos sem fundamento científico, e
#2- Até podemos aceitar usar um tratamento sem comprovação formal, mas não devemos aceitar tudo o que aprendemos na faculdade simplesmente porque alguém diz : "tenho bons resultados usando este tratamento". 
Como eu disse anteriormente, não encontrei nenhum artigo que fale sobre US pulsado e crioterapia. A hipótese, neste caso seria de que o resfriamento de uma determinada área iria potencializar os efeitos não térmicos obtidos com o US. Pulsado. Creio que esta pergunta permanecerá em aberto, mas espero que alguém se anime com esta pesquisa e, quem sabe, em breve tenhamos a comprovação ou refutação deste tratamento.

Hasta La Vista

quinta-feira, 7 de março de 2013

Pós graduação em Traumato Ortopedia

Olá fisionautas, 
Deixo hoje a minha indicação de curso para quem busca especialização de qualidade em traumato-ortopedia. 
Eu recomendo esta pós, pois tive excelentes recomendações de alunos que estão terminando o curso, posso garantir que o Prof. Dângelo Alexandre é um profissional que se esforça em garantir que este curso tenha um nível de excelência em termos de conteúdo e professores. 
Fica aqui a dica para quem busca uma pós em fisioterapia em 2013



sábado, 23 de fevereiro de 2013

Sugestões de camisas de fisioterapia

Olá Fisionautas,
Agora que o ano começou de verdade tem muita gente alvoroçada esperando a chegada dos calouros. Para algumas pessoas, a chegada de uma turma nova é uma oportunidade imperdível de usar o trote universitário como forma de disfarçar suas frustrações e inseguranças.
Mas  o assunto de hoje não é psicanálise, mas sim algumas sugestões de camisas de fisioterapia. Eu acho sofrível na faculdade a falta de criatividade na hora do pessoal vender camisas. É sempre aquela mesma coisa. A frase "Seu namorado pode até fazer direito, mas ninguém mexe no seu corpo como eu" ou então aquela do coraçãozinho escrito "I love fisioterapia". Andei pesquisando na internet e até criei algumas sugestões de estampas de camisa de fisioterapia um pouco mais interessantes.  
Divirtam-se